22.06.2023

América Latina e o Caribe requerem uma reativação com transformação para avançar em direção a um futuro mais produtivo, inclusivo e sustentável

Seminário realizado pela CEPAL, BNDES e FES-Brasil debate sobre o financiamento para o Grande Impulso para a sustentabilidade

A América Latina e o Caribe precisam dar uma guinada na transformação de seu modelo de desenvolvimento para avançar em direção a um futuro mais produtivo, inclusivo e sustentável, afirmou hoje José Manuel Salazar-Xirinachs, Secretário Executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), na inauguração do seminário Financiamento para o Grande Impulso para a Sustentabilidade, realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro, Brasil. Assista na íntegra:
 


"Precisamos de uma reativação com transformação", enfatizou o representante máximo da CEPAL no início de sua visita oficial ao Brasil.

"É necessário agir com senso de urgência e elevar o nível de ambição nos esforços políticos. Não é um momento para mudanças graduais e tímidas, mas sim para políticas transformadoras e ousadas que realmente impulsionem o desenvolvimento", afirmou durante sua apresentação no seminário coorganizado pela CEPAL, BNDES e a FES-Brasil.

Ao lado de José Manuel Salazar-Xirinachs, o evento foi inaugurado por Aloizio Mercadante, Presidente do BNDES, e Christoph Heuser, Representante da FES no Brasil.

Em seu discurso de abertura, o Presidente do BNDES destacou a longa história de cooperação entre o banco de desenvolvimento do Brasil e a CEPAL, bem como os desafios de colaboração no atual contexto de nova industrialização transformadora, digital e sustentável.

Por sua vez, Christoph Heuser ressaltou que a parceria entre a CEPAL e a FES sempre foi virtuosa e incorpora temas de interesse comum, como os esforços para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e dimensões socioeconômicas como emprego e igualdade de gênero, não apenas no âmbito conceitual, mas também em termos práticos em diversas áreas capazes de incluir uma transformação justa.

Durante sua exposição, o Secretário Executivo da CEPAL lembrou que a região está em um ponto de inflexão diante de uma cascata de choques que exacerbam lacunas históricas. Ele acrescentou que a globalização já não é o que era nos últimos 30 anos: ela mudou para um regionalismo caracterizado por tendências protecionistas, pela reconfiguração das cadeias globais de valor incentivadas por razões geopolíticas e por uma rivalidade pela supremacia tecnológica.

Na área social, por sua vez, o representante máximo da CEPAL ressaltou que a pobreza extrema e a pobreza continuam acima dos níveis pré-pandemia: no final de 2022, a pobreza afetava 201 milhões de pessoas (32,1% da população total) e o número de pessoas em extrema pobreza era de 82 milhões (13,1%), devido aos efeitos combinados do crescimento, mercado de trabalho e inflação.

Ele alertou que na América Latina e no Caribe apenas 25% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável têm previsão de cumprimento até 2030. 48% das metas revelam uma tendência correta rumo ao cumprimento, mas ainda insuficiente, e o restante, 27%, mostra uma tendência de retrocesso. Portanto, "75% das metas correm o risco de não serem cumpridas, a menos que ações decididas sejam executadas para recuperar o caminho certo", advertiu.

Para avançar em direção a uma reativação com transformação, a CEPAL propõe dez áreas prioritárias, detalhou o alto funcionário das Nações Unidas – sendo elas: promoção da produtividade, desenvolvimento produtivo, emprego e crescimento inclusivo; redução da desigualdade; fortalecimento das políticas sociais e de proteção social; educação e formação profissional; igualdade de gênero e economia do cuidado; sustentabilidade e mudança climática; transformação digital; gestão adequada dos fluxos migratórios; integração econômica regional; e macroeconomia para o desenvolvimento.

Além disso, ele destacou que políticas direcionadas a setores estratégicos são importantes, e, por isso, a CEPAL propõe treze áreas de oportunidade para o crescimento e a colaboração, incluindo transição energética, eletromobilidade, sociedade do cuidado, indústria de dispositivos médicos, gestão sustentável da água e governo digital, entre outras.

"Devemos fazer apostas produtivas em setores dinamizadores. Isso, bem-feito, ao longo de algumas décadas de maneira sustentada, move os ponteiros da produtividade, do crescimento e é parte essencial das estratégias de desenvolvimento", enfatizou.

Por fim, ele conclamou a criação de um diálogo social permanente, que conecte as instituições com a cidadania e os atores políticos e sociais, e que produza consensos amplos em relação às direções do desenvolvimento.

"Na CEPAL, promovemos fortemente os diálogos futuros, porque os espaços de diálogo têm muitos benefícios: não apenas coletivamente se enxergam melhor os cenários e se entendem as restrições, mas também são formas de ampliar os consensos", concluiu.

No âmbito do seminário, a CEPAL e a FES-Brasil apresentaram o documento Financiando o Big Push: caminhos para destravar a transição social e ecológica no Brasil.

Fotos: Divulgação/BNDES

 

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