24.05.2021

OPEB abre ciclo de lives “Além do Horizonte - Política Externa e Relações Internacionais”

A live “Política externa brasileira: subordinada, ideologizada, misógina” será dia 27 de maio (quinta-feira), às 18h, com transmissão pelo Youtube

O que um acordo econômico assinado com outros países importa na vida das brasileiras? Uma reflexão sobre esta e outras perguntas sobre o impacto da política externa do governo Bolsonaro sobre as mulheres é tema da live de abertura do ciclo “Além do Horizonte -Política Externa e Relações Internacionais”, realizado pelo OPEB (Observatório de Política Externa Brasileira da Universidade Federal do ABC) e a FES-Brasil (Fundação Friedrich Ebert Brasil),dia 27 de maio (quinta-feira), às 18h, com transmissão pelo canal do OPEB no Youtube.

A live “Política externa brasileira: subordinada, ideologizada, misógina” tem participação de Graciela Rodriguez, coordenadora do Instituto Equit, e das professoras Tatiana Berringer (OPEB-UFABC) e Beatriz Bissio (UFRJ), com moderação de Gonzalo Berrón (FES- Brasil) e apoio da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI).

Questões como a falta de presente e futuro profissional , mudanças na subjetividade feminina e até mesmo o endividamento causados por acordos que levam à crise econômica e desmonte do Estado estão entre os temas a serem abordados. “Subordinada, ideologizada, misógina” são adjetivos usados por Graciela Rodriguez em uma análise ampla das mudanças ocorridas na política externa nos últimos dois anos, que identifica suas consequências, principalmente, para as mulheres. “O alinhamento do Brasil à geopolítica global, em um cenário de disputa entre Estados Unidos e China, privilegiou mudanças que levaram à desindustrialização, financeirização e dependência econômica, um cenário de crise econômica e desmonte do Estado que afeta principalmente as mulheres”, ela explica.

A recriação do estado neoliberal flexibiliza leis de trabalho e desvaloriza a mão-de-obra, precarizando a vida das mulheres. Junto com a deterioração dos serviços sociais, dos quais as mulheres são as maiores cliente diretas, por sua dupla tarefa tanto pela força produtiva como reprodutiva, levam a um sofrimento que provoca dificuldade de reação.  Essa tendência, por sua vez, influencia a subjetividade com a assimilação de novos valores. “Com menos oportunidades, incorporamos a visão de que precisamos gerir nossa vida como uma empresa”.

Outro exemplo dessas consequências, uma vez que a mulher é majoritariamente responsável pelo cuidado doméstico, é o reforço da misoginia e do papel tradicional da mulher na família, para substituir o estado desmontado. E se a mulher também tem que pagar a conta da luz, da água e do supermercado, é ela também que se endivida para manter as necessidades do dia a dia. “Tudo isso compromete seu trabalho presente e futuro”, conclui Graciela.

Saiba mais: pdf: A política  Externa Brasileira - subordinada, ideologizada e misógina

O ciclo “Além do Horizonte -Política Externa e Relações Internacionais” apresentará ao longo do ano lives mensais sobre temas candentes no mundo atual, como o impacto sobre gênero, com a participação de docentes do OPEB da UFABC, intelectuais e profissionais do campo progressista e crítico das relações internacionais no país.

O objetivo do ciclo é fornecer a um público amplo elementos para compreender os desafios presentes e futuros do Brasil no mundo, comparar a política externa brasileira com experiências de outras nações e enriquecer nossa compreensão sobre como o mundo enxerga o Brasil hoje.

O OPEB (Observatório de Política Externa) é um núcleo de professores e estudantes de Relações Internacionais da UFABC criado para analisar de forma crítica a nova inserção internacional brasileira, a partir de 2019. Atuando como think tank e plataforma de conteúdo, o OPEB publica newsletter quinzenal sobre nove temas, coordenados por referências nos debates sobre América Latina (Gilberto Maringoni), Brasil – China (Ana Tereza Marra e Giorgio Romano), Brasil – EUA (Tatiana Berringer), Comércio Internacional (Lucas Tasquetto), Direitos Humanos e Migração (Gilberto Rodrigues), Meio Ambiente, Mudança Climática (Diego Azzi e Olympio Barbanti Jr.), Oriente Médio (Giorgio Romano), Políticas de Defesa (Flávio Rocha) e Relações com o Continente Africano (Flávio Thales).

Participantes

Graciela Rodriguez, socióloga, feminista, coordenadora do Instituto EQUIT– Gênero, Economía e Cidadania Global, membro da REBRIP – Rede Brasileira pela Integração dos Povos e da Rede de Gênero e Comercio.

Tatiana Berringer é professora de relações Internacionais da UFABC, Doutora e  Mestre com graduação em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (2007).

Beatriz Bissio, uruguaia naturalizada brasileira, PhD em História, jornalista, consultora de relações internacionais e professora do Departamento de Ciências Políticas da UFRJ

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