29.04.2026

AMLAT Radar 2026 aponta incerteza global e revela nuances do Brasil no cenário regional

Pesquisa revela uma América Latina mais inquieta diante da turbulência global, enquanto o Brasil apresenta percepções mais cautelosas e posições próprias em temas-chave do cenário internacional.

 

As sociedades latino-americanas percebem um mundo cada vez mais instável, marcado por conflitos, enfraquecimento de regras internacionais e acúmulo de crises globais. Essa é a principal conclusão do AMLAT Radar 2026: Olhares latino-americanos sobre a Europa e o mundo, pesquisa realizada pela Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) em parceria com Diálogo e Paz e a revista Nueva Sociedad, com metodologia do Latinobarómetro.

Conduzido entre outubro e novembro de 2025 em dez países, o estudo revela uma região atravessada por sentimentos de incerteza, preocupação e inquietação diante do cenário internacional, ao mesmo tempo em que mantém níveis mais altos de otimismo quando o olhar se volta para a vida pessoal e familiar.

Nesse contexto, o Brasil apresenta características próprias em relação à média regional. Embora compartilhe o clima geral de inquietação, o país revela maior heterogeneidade nas percepções sobre temas internacionais. A opinião pública brasileira é mais dividida quanto à ideia de enfraquecimento das normas globais, indicando menor consenso. Em temas específicos da agenda internacional, como a guerra em Gaza, o Brasil se destaca por maior reticência em classificar a violência como genocídio, em contraste com outros países da amostra.

No campo dos modelos de desenvolvimento, ainda que a China seja o único ator que melhora sua imagem na região e passe a liderar como referência média, o Brasil apresenta maior ambivalência. Modelos ocidentais seguem contando com maior apoio do que em outros países da região, ao mesmo tempo em que há uma proporção relevante de respostas “não sabe/não responde”, indicando indecisão ou ausência de referência clara.

O relatório também aponta o papel singular do Brasil na América Latina: é o único país identificado com influência econômica regional claramente visível. Ainda assim, tanto o reconhecimento externo quanto a autopercepção de liderança registraram queda entre 2022 e 2026.

Em relação às prioridades, o país acompanha a região ao enfatizar temas como comércio e soberania, enquanto a migração aparece com menor peso relativo entre as preocupações. Já na avaliação da democracia, o país apresenta retrocessos no período analisado, em linha com tendências observadas em parte da América Latina.

No plano das potências globais, o Brasil compartilha tendências regionais como a melhora da imagem da China e a avaliação crítica da liderança política dos Estados Unidos, ainda que se reconheça seu peso econômico e militar. Ao mesmo tempo, mantém convergência com a região em consensos fundamentais, como o apoio à democracia, à paz internacional e à não proliferação nuclear.

O AMLAT Radar 2026 é a segunda edição da pesquisa, permitindo comparar mudanças nas percepções desde 2021-2022, em um período marcado por transformações profundas na ordem global. Os dados e o relatório completo estão disponíveis em plataforma aberta. Acesse. 

O lançamento do relatório será realizado no dia 30 de abril, às 15h (horário de São Paulo), em evento virtual. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia. Inscreva-se.