03.06.2026

Inteligência Artificial e negociação coletiva: seminário debate desafios para o futuro do trabalho

Regulação, negociação coletiva e participação sindical estiveram no centro dos debates sobre como garantir que a Inteligência Artificial esteja a serviço das pessoas e do trabalho decente.

Como garantir que os avanços da Inteligência Artificial (IA) contribuam para o bem-estar coletivo, a ampliação de direitos e a redução das desigualdades? Essa foi uma das questões centrais do seminário “Inteligência Artificial – Desafios à Negociação Coletiva”, realizado nos dias 25 e 26 de maio, em São Paulo, pelo Macrossetor da Indústria da CUT, em parceria com a FES Brasil, IndustriALL Brasil, DIEESE e Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID Brasil).

Ao longo de dois dias, dirigentes sindicais, pesquisadores e especialistas discutiram os impactos da IA sobre o emprego, a organização do trabalho e as negociações coletivas, destacando a necessidade de que trabalhadores e suas organizações participem ativamente da definição das regras que orientarão o uso dessas tecnologias.

Mais do que uma inovação tecnológica, a IA foi debatida como uma questão social e política. Seus impactos dependerão das escolhas feitas por governos, empresas, sindicatos e sociedade sobre como distribuir os benefícios da inovação, proteger direitos e responder às transformações do mundo do trabalho.

Jan Souverein, representante da FES no Brasil, alertou para os riscos da crescente concentração de riqueza e poder nas big techs e defendeu uma governança democrática da IA. Para ele, o futuro do trabalho não pode ser definido exclusivamente por quem controla essas tecnologias. Destacou ainda que os ganhos de produtividade proporcionados pela inovação devem resultar em mais justiça social, qualidade de vida e bem-estar para a população.

Waldeli Melleiro, diretora de projetos da FES Brasil, mediou a mesa sobre oportunidades e ameaças da IA, que contou com Marcelo Graglia, da PUC-SP, como expositor. A mesa discutiu que a IA é disruptiva, uma vez que muda a produção e também as relações humanas. Sua característica intrínseca é a substituição do trabalho humano, isto é, fazer melhor o que os seres humanos fazem. Nessa perspectiva, a IA traz benefícios e malefícios: são criadas novas profissões especializadas, com uma quantidade menor de empregos, enquanto outras, que empregam milhares de pessoas, desaparecem. Por isso é preciso estimular outros setores em políticas públicas para absorver o excedente de mão-de-obra em determinado setor.

Entre os principais temas debatidos estiveram os riscos de discriminação algorítmica, vigilância excessiva nos ambientes de trabalho, intensificação do ritmo produtivo, substituição de atividades humanas por sistemas automatizados e uso indevido de dados pessoais. Dentre as conclusões, destacou-se a importância de incluir a regulação da IA nas negociações coletivas, exigindo um código de ética no seu uso, buscando garantir transparência algorítmica e revisão humana nas decisões automatizadas.

Fotos: Mayra Castro