29.06.2026

Fórum dos Futuros Norte-Sul reúne lideranças de mais de 20 países no Brasil para discutir os rumos da cooperação internacional

Realizado em Brasília e São Paulo, o encontro do reuniu representantes de mais de 20 países para debater democracia, desenvolvimento, tecnologia e os desafios da cooperação internacional em um mundo em transformação.

Entre os dias 14 e 19 de junho, Brasília e São Paulo receberam lideranças políticas, pesquisadores, representantes da sociedade civil e especialistas de mais de 20 países para a segunda edição do Fórum de Futuros Norte-Sul (North-South Futures Forum/NSFF). Promovido pela Fundação Friedrich-Ebert (FES), o encontro discutiu os impactos das transformações geopolíticas sobre a democracia, a economia, a cooperação internacional e os caminhos para um desenvolvimento mais justo..

 

O Sul Global no centro do debate

A crescente influência dos países do Sul Global na redefinição da agenda internacional foi um dos temas recorrentes ao longo do Fórum. Para a pesquisadora indiana Ummu Salma Bava, países como Brasil e Índia já não se limitam a reagir às transformações em curso, mas contribuem diretamente para moldar respostas coletivas aos desafios globais e para construir novas formas de cooperação internacional.

Na mesma direção, Armand Zorn, deputado do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, defendeu o fortalecimento das parcerias entre países do Sul Global como caminho para impulsionar modelos de desenvolvimento capazes de articular política industrial, ação climática, justiça social e soberania econômica.

"Estabelecer parcerias com países do Sul Global será fundamental para promover novos caminhos de desenvolvimento que articulem política industrial, ação climática, justiça social e soberania econômica”, afirmou.

 

Democracia e cooperação em um mundo em transformação

Os participantes também refletiram sobre os impactos das mudanças na ordem internacional e os desafios para fortalecer a cooperação entre países em um contexto de crescente fragmentação. Stewart Patrick, pesquisador da Carnegie Endowment for International Peace, destacou que as chamadas potências médias têm uma oportunidade cada vez maior  de influenciar a agenda internacional, desde que consigam construir coalizões e princípios compartilhados.

Já Moeed Yusuf, presidente da Beaconhouse National University, afirmou que enfrentar desafios comuns, tais como a crise climática, as transformações tecnológicas e a segurança econômica, dependerá de parcerias mais sólidas entre Europa e os países do Sul Global.

O fortalecimento da democracia também esteve presente nas discussões. Para Magdalena Sepúlveda, diretora do Instituto de Pesquisa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social (UNRISD), a ascensão do autoritarismo e da extrema direita está diretamente ligada ao aumento das desigualdades, da polarização e da perda de confiança nas instituições.

"A ascensão do autoritarismo e da extrema direita não é apenas um desafio nacional. É um fenômeno global, associado ao aumento das desigualdades, da polarização, da insegurança e da perda de confiança nas instituições, que coloca em risco o multilateralismo e a cooperação internacional", analisou.

 

Desenvolvimento, tecnologia e governança global

Outro eixo da programação discutiu como as transformações econômicas e tecnológicas vêm redefinindo os desafios do desenvolvimento. Um dos destaques foi o painel “Para quem funciona a economia? Poder, lucro e o futuro do desenvolvimento”, realizado durante a celebração dos 50 anos da FES no Brasil. A atividade reuniu Armand Zorn, deputado do Partido Social Democrata; Gonzalo Berrón, Diretor de Projetos da FES Brasil; Sabine Fandrych, Secretária Geral da FES; Marcos Nobre, filósofo e cientista social; Cecilia Rikap, professora de economia na University College London (UCL); e Laura Carvalho, diretora global do programa de Equidade das Open Society Foundations, para debater alternativas a modelos de desenvolvimento marcados pela concentração de poder econômico e tecnológico.

As transformações tecnológicas e seus efeitos sobre as relações de poder globais também estiveram no centro das discussões. Cecilia Rikap argumentou que uma nova dinâmica de dependência vem se consolidando entre países centrais e periféricos, agora estruturada em torno do controle de tecnologias estratégicas e da concentração de capacidades de inovação. Segundo a pesquisadora, essa configuração combina a influência das grandes empresas de tecnologia globais com interesses econômicos locais, aprofundando assimetrias entre o Norte e o Sul Global.

Na mesma linha, David Passarelli, diretor do Centro de Pesquisa em Políticas da Universidade das Nações Unidas (UNU-CPR), defendeu que a construção de um futuro digital mais justo dependerá de novas formas de cooperação internacional capazes de tratar conhecimento, inovação e tecnologia como bens públicos globais, ampliando o acesso e reduzindo desigualdades entre países e regiões.

 

Uma agenda permanente de diálogo

Realizado pela primeira vez em Nova York, em 2025, o NSFF reúne lideranças do Norte e do Sul Global para promover o intercâmbio de experiências e contribuir para a construção de respostas coletivas aos desafios internacionais. Ao sediar a segunda edição do Fórum, o Brasil reafirmou seu papel como espaço de diálogo sobre democracia, desenvolvimento e cooperação internacional.

A próxima edição será realizada na Índia, em 2027.

 

Veja como foi pelas fotos do encontro